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Do Esboço ao Livro: A Jornada de "Ana, uma história sobre ansiedade"

Do Esboço ao Livro: A Jornada de "Ana, uma história sobre ansiedade"

Tudo começou em 2011. Eu era aluno bolsista na Escola Superior da Magistratura Federal (ESMAFE) e enfrentava um período de escassez de trabalho. Foi entre as aulas e os estudos de direito que comecei a rabiscar os primeiros traços de uma história em quadrinhos. Sim! Você não leu errado: uma história em quadrinhos. 

O projeto tinha nome e propósito: “Ana, uma história sobre ansiedade”.

Naquela época, embora a era da informação já estivesse presente, a ansiedade ainda era vista como uma força maldita, obscura e silenciosa. Um monstro que repousa no ombro e profere maus agouros. Somente após aprender a enfrentá-la, com o devido auxílio profissional, senti-me seguro para transpor esses percalços para o papel.

O Universo de Ana: Personagens e Simbolismos

Criei um protagonista sem nome. Pensei ele por volta dos vinte e sete anos — imaturo, fumante, uma espécie de “James Dean”, criado na década de 90, que não chegou ao auge. Ele sofria com graves ataques de pânico e tinha como antagonista a personagem-título: Ana. Com sua presença loura e curvilínea, ela o acompanha por quase toda a trama, fundindo o real ao fantástico em meio a flashbacks e flashforwards.

Para equilibrar essa jornada, dei vida a figuras marcantes:

  • O Doutor: Mentor no mundo imaginário e contraponto à Ana. Criado como uma homenagem ao estilo "Gonzo" de Hunter S. Thompson, ele representa a literatura que tenta aliviar a ansiedade do protagonista.

  • A Irmã: Representa a fé. Inspirada na dinâmica de Shirley MacLaine e Clint Eastwood em “Os abutres têm fome”, ela é a figura que coloca o protagonista nos eixos, mesmo que precise usar métodos nada cristãos.

  • Doutor Sacks: O contraponto real ao mentor literário. É o psiquiatra cujas orientações o protagonista tenta seguir para enfrentar a ameaça de Ana.

  • Moisés (Supersoul): O radialista negro, amante do Rock’N’Roll e voz antirracista das minhas histórias. Um personagem com personalidade crítica que mantive para obras futuras.

O Deserto como Alegoria

A história se desenrola em uma grande road-trip. O cenário é um deserto aberto, repleto de erosões e pedras — uma alegoria para a mente distorcida e um verdadeiro campo de batalha. Nesse caminho, surgem cidades de nomes exóticos como Verdum, Tio Bauer e Nova Belsen, culminando na "Capital", uma mistura caótica de Detroit (EUA) e São Paulo (BR).

Apesar dos elementos fantásticos, a obra é ancorada na realidade dura: estão lá os detalhes de uma crise de pânico, as relações destruídas pela doença, o peso dos medicamentos tarja-preta e o falso refúgio do álcool.

Da Autopublicação ao Aprendizado

Finalizei a primeira versão em quadrinhos e, de forma quase nostálgica, fiz cópias em xerox para presentear amigos. Sem retornos imediatos, decidi "romancear" o ensaio original. Em 2019, realizei minha primeira autopublicação, mantendo o título e acrescentando um prefácio e um interlúdio final.

A Secco Editora, contratada para o serviço, entregou-me cinquenta exemplares. Novamente, distribuí e vendi a obra. Os feedbacks foram honestos: alguns acharam a narrativa "quebrada" ou difícil, outros confessaram não ser apreciadores do realismo fantástico.

Entre exemplares que ficaram guardados e outros que se perderam no caminho — incluindo vinte livros entregues a um conhecido que prometeu contatos no meio editorial e nunca mais deu notícias —, "Ana" segue sua trajetória. Talvez esses vinte livros estejam hoje acumulando poeira em algum porão, no Bairro Petrópolis, mas o processo de dar vida a esse monstro e transformá-lo em arte foi, por si só, meu exorcismo. 

Além disso, o START havia sido dado... 


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